<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976</id><updated>2011-09-06T09:15:30.390-07:00</updated><title type='text'>texto-revisado</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-3042677782422599695</id><published>2011-07-26T05:58:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T05:58:59.848-07:00</updated><title type='text'>Ler clássicos é preciso</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="89"&gt;Quando a primeira vez minhas mãos dedilharam as páginas de &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;, escrita por Machado de Assis, meu pensamento ficou demasiadamente confuso, perturbado. A imortal passagem de um capítulo em que o “X” se diz ser acrobata e lança o desafio ao mortal leitor: “decifra-me ou devoro-te!”. E não tardou ser eu devorado pelo enigma machadiano. A partir da leitura, concluí que as obras de Machado são inesgotáveis, de sorte que se intitulam clássicas no cenário mundial.&amp;nbsp; E obras clássicas devem ser indicadas pelas escolas para as nossas crianças, adolescentes, jovens, desde logo cedo, que é para semear semente boa e fértil. &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="89"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="120" style="text-align: justify;"&gt;O professor deve ter a consciência de que seus alunos, sejam crianças ou adolescentes, necessitam exercer o hábito da leitura. Para tanto, é dever do educador convocar os pais, as mães, os responsáveis pela criança e, com o auxílio também da biblioteca, estimular nos pequeninos o gosto pelo livro. Gostar do livro, o primeiro passo. Depois a leitura. Apalpar o livro. Cheirar o livro, as páginas. Falar com o livro. Que o pai ou a mãe ou o tio ou o avô ou quem mais for familiar conte uma história para a criança, de preferência com um livro na mão. Que faça a criança ouvir o enigmático barulho do folhear das páginas do livro. E encha o peito para, no final da história, lhe segredar: “olha, meu filho, o livro é o melhor amigo do homem!”. &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="120" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="121" style="text-align: justify;"&gt;Preocupa-me bastante o fato de, nos dias atuais, as crianças gastarem seu longo tempo de manhãs, tardes e noites à frente do computador em brincadeiras de jogos infantis, nos seus MSNs, ou outras salas de bate-papo e mais coisinhas do ramo. Não que estas ferramentas lhes sejam prejudiciais em sua plenitude. MSN, Orkut nada mais são do que modalidades de canais de comunicação, e os joguinhos &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; podem ser até mesmo educativos, como o “letroca” que consiste em formar palavras a partir de troca de letras, o que enriquece o vocabulário do participante do jogo. Intriga-me, porém, a constatação de que as crianças estão lendo pouco, muito pouco. E ler pouco pode trazer consequências ruins para elas. Quase não vimos livros nas mãos dos pequenos. Em vez disso, suas mãos ficam robotizadas em teclados, &lt;em&gt;mouses&lt;/em&gt;, seus olhos muito raramente passeiam pelas páginas de um “Alice no país das maravillhas”, um “Pequeno príncipe” ou de um “Para gostar de ler”.&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="121" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="122" style="text-align: justify;"&gt;Missão dura dos pais instaurarem o equilíbrio entre computador e livro para seus filhos. Mas temos pelo menos duas notícias boas no meio deste fecundo terreno. A primeira delas é que a editora intitulada &lt;em&gt;Escala Educacional&lt;/em&gt; adaptou clássicos da literatura brasileira para versões em histórias em quadrinhos. São obras de Machado de Assis (&lt;em&gt;O enfermeiro&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Uns abraços&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A cartomante&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;A causa secreta&lt;/em&gt;) e de Lima Barreto (O &lt;em&gt;homem que sabia javanês&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Um músico extraordinário&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;A nova Califórnia&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Miss Edith e seu tio&lt;/em&gt;). A segunda notícia – e esta é a mais extasiante - é que você pode acessar, gratuitamente, obras completas de Machado de Assis, poemas de Fernando Pessoa e outras tantas de literatura infantil mediante o site &lt;a href="http://www.dominiopublico.gov.br/" target="_blank"&gt;http://www.dominiopublico.gov.br/&lt;/a&gt; do portal do Ministério da Educação.&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="122" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Visualizem seu pequeno (filho, sobrinho, neto ou enteado) lendo uma destas obras e – aqui entra a magnitude da coisa! – visualize-os utilizando um destes canais de comunicação da internet (MSN, Orkut ou qualquer outra sala de bate papo) para comentar com outras crianças fragmentos da obra lida, opinar sobre os personagens, o cenário, os valores humanos embutidos na narrativa. Bater papo sobre a vida do autor da obra. Isto é possível, caro leitor: a criança usar a internet para conhecimento e disseminação da literatura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="123" style="text-align: justify;"&gt;Finalizo esta coluna com um fragmento de &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="123" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="124" style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.&lt;br /&gt;Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade (...)”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_l2wwxs="124" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Que semeemos, pois, a boa semente do hábito da leitura dos clássicos infanto-juvenis aos nossos pequenos. Ainda há tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-3042677782422599695?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/3042677782422599695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2011/07/ler-classicos-e-preciso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3042677782422599695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3042677782422599695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2011/07/ler-classicos-e-preciso.html' title='Ler clássicos é preciso'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-4552526293175445809</id><published>2011-05-31T10:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T10:14:06.204-07:00</updated><title type='text'>Língua culta e popular.</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta afirmativa de Albert Einstein nos conduz a refletir sobre outra forma de preconceito tão marcante, tão vivo e manifestável nos dias de hoje: o preconceito lingüístico. E faço questão de principiá-la nesta coluna para debater o episódio recente acerca do uso do livro ‘Por uma Vida Melhor’ da coleção Viver, aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, é preciso deixar claro que o livro pretende partir da linguagem popular, com suas exemplificações, para melhor ensinar a norma culta, a linguagem padrão, a gramática normativa propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo fragmentos do texto do livro da autora Heloísa Ramos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É importante saber o seguinte: as duas variantes (norma culta e popular) são eficientes como meios de comunicação. A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado. Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar 'os livro?'.' Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na variedade popular, contudo, é comum a concordância funcionar de outra forma. Há ocorrências como: Nós pega o peixe. - nós (1ª pessoa, plural); pega (3ª pessoa, singular) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os menino pega o peixe. - menino (3ª pessoa, ideia de plural - por causa do "os"); pega (3ª pessoa, singular). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nos dois exemplos, apesar de o verbo estar no singular, quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida na ação de pegar o peixe. Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros. Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A norma culta existe tanto na linguagem escrita como na linguagem oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta. Algo semelhante ocorre quando falamos: conversar com uma autoridade exige uma fala formal, enquanto é natural conversarmos com as pessoas de nossa família de maneira espontânea, informal.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se que a autora preocupa-se, primeiramente, em informar que as duas variantes, a culta e a popular, são eficientes como meios de comunicação. Isto é inegável. Vejam que, em momento algum, ela deprecia uma variante ou outra. Pelo contrário, alerta que “o falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheço a autora, senão agora pelo seu livro, mas quero opinar a favor de suas exemplificações, que têm fundamentos linguístico, científico, ético, pedagógico-didático, tudo em benefício da educação e, mais propriamente, do ensino da língua portuguesa nas escolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns opinaram contra o livro que nada mais é do que uma ferramenta útil com a qual o professor bem preparado poderá trabalhar com seus alunos. Alunos que falam de diferentes formas, com seus dialetos e sotaques característicos. Estudantes nortistas, nordestinos, sulistas, os do Centro-Oeste e do Sudeste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor, gramático e linguista Celso Pedro Luft (1921 - 1995) orienta que “quaisquer que sejam as deficiências ou distâncias da língua culta que o aluno apresentar chegando à escola, é com esse material que o professor deve começar seu trabalho”. Ou seja, o livro que fala e valoriza as duas variantes (a culta e popular), mas que atenta para o fato de que devemos ser cuidadosos em usar uma ou outra no momento adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um professor que queira explicar aos seus alunos a norma culta, que queira ensinar a ele as relações sintáticas, pontuação, sujeito, verbo e predicado, e outros tópicos da gramática, este professor deve necessariamente começar pela explanação das duas variantes. Deve, acima de tudo, desenvolver sua aula a partir do aluno, da potencialidade de sua linguagem, de sua criatividade, de sua língua internalizada (materna), pois a proposta atual é de um ensino centrado no aluno (alunocêntrico). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mattoso Câmara Júnior (1904 - 1970), respeitadíssimo estudioso da língua, nos tranquiliza: “A língua popular quase não reage contra o fator individual de mudança desde que essa mudança não prejudique propriamente a inteligibilidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O errado e o certo. As sociedades dos cinco continentes todas têm um padrão de língua a ser seguido. Isto também é inegável. Nós brasileiros aprendemos desde cedo que existe uma linguagem padrão cheia de regras gramaticais pela qual todos devem se pautar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A correção é a obediência a essa linguagem padrão. E o livro Por uma Vida Melhor quer mostrar a importância desta obediência à norma culta, mas ao mesmo tempo esclarecer que existe também a linguagem popular que naturalmente deve entrar em igualdade de estudo, debate, reflexão junto com à variedade de prestígio social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conclusão, se refletirmos melhor, mais atentamente, veremos que não se trata de erros e sim de discordâncias do uso. Se o uso estabelecido é o padrão, o gramatical, serão discordantes construções como: nóis drumimos / nóis pega o livro / a bassoura para barrer o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto não quer dizer que são construções erradas no meio social. São outras formas de uso popular, coloquial, formas não-cultas, e muitas vezes, digo de passagem, estigmatizadas pela sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no vestibular? Entendo que nas avaliações do vestibular, concursos públicos, o candidato deva pautar, sim, pela norma culta, elaborar o texto atento às regras gramaticais. Imaginem uma redação de vestibular cujo tema é Copa do Mundo na qual o seu autor inicia assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brasile vai sediá a copa de 2014 e eu acho que nóis póde ser campião purque o brasile é muito bom de bola e nóis temo muito craques e a turcida brasilera vai torcê pra caramba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparem que é explícita a oralidade pura do falante-redator manifestada em forma escrita. Uma oralidade que foge completamente do uso exigido pela gramática normativa e que, por isso, será considerada “errada”, inadequada, pela banca examinadora da redação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herbert Spencer, filósofo inglês, afirmava ser a gramática a última coisa que se devia ensinar, porque é uma filosofia do idioma, e um menino não aprende a língua materna pela definição do adjetivo, substantivo, pronome, como não aprendemos a respirar estudando gravuras de pulmões”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luft adverte que “é próprio do pensamento tradicional ingênuo supor que a gramática da língua está nos livros, e que os falantes, em maior ou menor grau, estropiam a língua, provocando aquelas afirmações de que “todo mundo fala errado”, como se, primeiro, os gramáticos inventassem as regras, para depois os falantes obedecerem a elas e poderem falar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola deve trabalhar a gramática interior do aluno, respeitando-a, enriquecendo-a, e, principalmente demonstrando que ela é mais uma opção natural de se falar e escrever. Mas atenção: cada uma delas - a variante popular e a variante culta - tem seu lugar de uso. Não se admite, portanto, o uso da linguagem popular em redações oficiais (vestibular, concursos, monografias e outros textos nos quais se exige o padrão culto da língua), Por outro lado, evitamos o uso da língua culta em situações que não a exigem necessariamente (conversas informais, bate-papos com familiares).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não poderia deixar de mencionar o professor da Universidade de Brasília Marcos Bagno. Ele afirma que “Nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades lingüísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha filha de 11 anos de idade cursa a 5ª série (6º ano) por meio de um livro antigo adotado por sua escola que aborda a variação linguística, e seu professor de língua portuguesa orienta ela e outros alunos sobre a importância de cada uma das variantes da língua: a culta e a popular. E nem por isso minha filha e outras crianças irão desaprender a gramática, ou desobedecer às regras gramaticais. Muito pelo contrário: irão aprofundar seu conhecimento sobre a língua portuguesa, irão desenvolver melhor seu senso crítico. Isto é pura educação voltada ao progresso da criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a partir da gramática interna do aluno que se chegará a alguma gramática explícita, normativa. E livros como o da autora Heloísa Ramos contribuem seguramente para desintegrar pouco a pouco o preconceito linguístico, educando de maneira cidadã e responsável as nossas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CÃMARA JR., JOÃO MATTOSO. Manual de expressão oral e escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. Vozes Ltda, Petrópolis, 1981.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUFT, CELSO PEDRO. Língua e liberdade - Por uma nova concepção da língua materna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. Ática, São Paulo, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRANCHI, EGLÊ PONTES. A Redação na escola - E as crianças eram difíceis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-4552526293175445809?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/4552526293175445809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2011/05/lingua-culta-e-popular.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/4552526293175445809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/4552526293175445809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2011/05/lingua-culta-e-popular.html' title='Língua culta e popular.'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-3094126892840983166</id><published>2010-12-09T06:56:00.000-08:00</published><updated>2010-12-09T06:56:55.956-08:00</updated><title type='text'>QUESTÃO DE GÊNERO</title><content type='html'>Questão de gênero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que não se cansa de calar: “a presidente” ou “a presidenta”, qual destas duas formas devo usar? As duas formas estão gramaticalmente corretas. O substantivo comum de dois gêneros “presidente” vale tanto para masculino quanto para feminino, desde que venha acompanhado do artigo definido “o” ou “a”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário saber, entretanto, que a forma feminina mais comumente falada e escrita é “a presidente”, pois a maior parte da comunidade linguística brasileira percebera que a expressão “a presidenta” soa como hipercorreção, quer dizer, a busca do uso correto que se eleva “acima da correção”, tachar o termo correto como incorreto. Por analogia, teríamos, na tentativa de “corrigir” em vão uma determinada palavra, “a videnta” como forma optativa para feminino de “o vidente”. Mas também, pelo mesmo motivo de “a presidenta”, preferiu-se usar “a vidente” no lugar de “a videnta”. Do mesmo modo, preferimos pronunciar e grafar “a combatente”, e não “a combatenta”; “a servente”, e não “a serventa”; “a gerente”, e não “a gerenta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos substantivos compostos, flexionamos apenas o primeiro elemento. Assim, teremos “a diretora-presidente”, por exemplo. E a respeito de “o governante”, “a governante” de um país? Veja que, se optarmos pela construção “a governanta do país”, poder-se-á dar margem à eventual interpretação de se tratar da governanta que cuida de uma casa, aquela profissional contratada para educar crianças, e não a mulher que preside uma nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo de hoje, tão marcado pela emancipação da mulher, com sua crescente inserção no mercado de trabalho, há uma preocupação natural - e justa - de a mulher preservar e disseminar tudo o que diz respeito a seu gênero feminino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é o cargo em gênero masculino, outra coisa é o gênero da autoridade que assina. Por exemplo, o cargo de Ministro, Assessor, Professor, Diretor de uma dada instituição. Seus respectivos titulares, se mulheres, assinarão um documento obviamente como Ministra, Assessora, Professora, Diretora. Não se admitem, portanto, construções do tipo: “o assessor Maria”, mas sim “a assessora Maria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe as três frases seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O piloto pilota o helicóptero.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A criança lê o livro de Monteiro Lobato.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu ídolo está cantando no palco.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas três frases assim, soltinhas, pronunciadas e escritas sem nenhum referente anterior (anafórico) e posterior (catafórico), nos impossibilitam de afirmar se se trata de um piloto homem ou mulher, de uma criança menino ou menina ou se o ídolo refere-se a um cantor ou cantora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes substantivos são chamados de sobrecomuns. São invariáveis, isto é, não variam em sua terminação nem no artigo que o precede. Sendo assim, não existem as formas “a piloto” ou “a pilota”, “o criança”, “a ídola”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, alguns substantivos sobrecomuns seguidos de respectivas frases exemplificadoras. Por sua essência, estes substantivos admitem somente um ou outro artigo, a saber: “o” ou “a”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cônjuge (não existe “a cônjuge”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: Ele tinha que informar dados do seu cônjuge.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O indivíduo (não existe “a indivídua”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: Aquela moça era um indivíduo suspeito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênio (não existe “a gênia”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: A aluna de minha sala é um gênio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O membro (não existe “a membra”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: Comuniquei-lhes que as assessoras são membros do comitê.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito (não existe “a sujeita”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: Minha irmã é um sujeito divertido.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A sentinela (não existe “o sentinela”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ex.: Instruí aquelas sentinelas - homens de bons costumes - a ter maior atenção em suas atividades.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim deve funcionar a nossa língua, dinâmica e prática também na questão de gênero. Falar e escrever aquilo que a comunidade linguística achar gramaticalmente convencional e consagrado. Tudo, é claro, para dar maior clareza à mensagem que se pretende transmitir.&lt;br /&gt;--------------------------------&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUBOIS, Jean et al. Dicionário de lingüística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. Cultrix, São Paulo/SP; 1973.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-3094126892840983166?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/3094126892840983166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/12/questao-de-genero.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3094126892840983166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3094126892840983166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/12/questao-de-genero.html' title='QUESTÃO DE GÊNERO'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-126082721056131728</id><published>2010-10-11T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-11T11:45:02.267-07:00</updated><title type='text'>Inocência de criança: do cinema à vida real</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O pequeno Samuel Lapp (Lukas Haas) aponta o dedo indicador para a fotografia de um homem, identificando-o como o criminoso procurado, e o policial John Book (Harrison Ford), que está ao lado do menino, fica atônito porque o homem da foto é um policial. Cena pertubadora do filme A testemunha (Witness) rodado em 1985. Vi esta película dentro do luxuoso Cine Atlântida aqui em Brasília, já desativado. Na época, tinha 15 anos de idade. Samuel, com seus oito anos de idade, chamou-me atenção e até meu coração bateu mais forte quando vi esse tenso episódio do filme, pois ali estava a criança-personagem-protagonista, a testemunha do assassino. Não se tratava comumente de um adulto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dedo indicador, de inocência. A criança do filme é a criança da vida real. Menino inocente que não tem o propósito de entregar policial algum, ainda que o tenha feito involuntariamente. Mas vimos inocência de criança. E achamo-la também na comédia-drama O garoto (The kid), estrelado por Charles Chaplin em 1921. O olhar do garoto, tão singelo, carregado de sofreguidões e de poucas alegrias, denuncia o mesmo olhar de inocência de Samuel Lapp. Se fazem peraltices, se fazem birras, caretas, choramingas, são coisas de criança, ora bolas! É que tudo isso que elas insistem em fazer, e as fazem com afinco, está, acima de tudo, envernizado de imaculada inocência. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem ainda não teve o prazer de contemplar A vida é bela (La vita è bella), há tempo de fazê-lo. E, ao passar ou repassar seus olhos nas cenas deste drama italiano de 1997, contemple os comportamentos, reações, gestos, expressões da criança Giusoé, menino tão inocente e encantador como Samuel Lapp e o garoto de Chaplin. Criança que é, o pequeno Giusoé acredita inocentemente que a guerra na qual ele está inserido trata-se apenas de um jogo do qual participa com intenso entusiasmo ao lado do pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro filme italiano, o premiado Cinema paradiso (Nuovo Cinema Paradiso), de 1988, tem criança contracenando com gente adulta. O esperto Salvatore, apelidado de Totó, criança franzina, peralta, e que tem paixão desenfreada pelo cinema. Menininho custoso dá conta, sô!, como se diz no linguajar mineiro, não se pode piscar o olho que o rapazote vai lá e apronta um mal-feito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que falar das sete crianças vividas no belíssimo musical A noviça rebelde (The Sound of Music) de 1967? Dirão alguns que são meninas e meninos endiabrados, indisciplinados, e por que não maldosinhos. Esquecem, todavia, que são crianças reprimidas, cujo pai viúvo, também reprimido, carecem de amor e compreensão. Carecem ser ouvidas. Até que a governanta Maria, interpretada pela atriz Julie Andrews, dá um jeito em tudo isso, trazendo amor, afeto e compreensão para essas crianças que, a partir de então, manifestam seu verdadeiro lado. O lado da criança alegre, amiga, que necessita de mão e coração acolhedores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro O pequeno príncipe, comenta que "todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso”. Dos literários Brás Cuba, Madame Bovary, Dom Quixote, até os cinematográficos Mazaropi, James Bond, Carlitos, todos uma vez na vida foram crianças. Às vezes, é verdade, não se dão ou nem se deram conta disso. Pois a vida adulta não tem início mesmo com choro e riso de criança? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vida nasce pueril, berrando em maternidade, depois se consola em leite materno, vida-criança que brinca, pula amarelinha, faz girar pião com barbante, e que até aponta o dedo indicador, num gesto inocente, para um certo homem suspeito. O garoto adotado por Chaplin tem rosto de gente miúda, e é preciso olhar bem no fundo de seus olhos para entender que ali mora uma criança e não gente adulta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Hoje, somos adultos e devemos isso pelo fato de termos sido crianças. Em cada um de nós descansa alma infantil, ali quieitinha ou, às vezes, irriquieta, mas comandada por espírito e senso adulto. Devemos nos sentir mais leves, felizes, por convivermos dia a dia com os pequenos Samuéis, Giusoés, com as tantas crianças reprimidas que reencontraram o amor, e tantos outros garotos de olhos mirrados e inocentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E, para encontrar e elevar nossa felicidade, basta termos a certeza de que somos todos adultos-crianças. Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-126082721056131728?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/126082721056131728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/10/inocencia-de-crianca-do-cinema-vida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/126082721056131728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/126082721056131728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/10/inocencia-de-crianca-do-cinema-vida.html' title='Inocência de criança: do cinema à vida real'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-5043484528480715527</id><published>2010-10-05T12:11:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T12:11:03.509-07:00</updated><title type='text'>Padronização de textos oficiais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dia desses entrei numa loja de alimentação de grande porte e observei que seus empregados usavam vestimentas idênticas, calça e camisas com as mesmas cores e detalhes, logomarca da empresa no canto superior esquerdo da camisa, e até boné também padronizado. Saí da loja, andei a minha casa, uns 300 metros, e avistei um daqueles empregados da loja usando uniforme. E uma outra pessoa do meu lado, de traços joviais, chamou em voz alta a pessoa uniformizada pelo nome da empresa, como se fosse seu apelido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Este episódio atiçou-me a refletir demoradamente sobre a importância da padronização. E padronizar não somente o uniforme de uma empresa, mas também, por exemplos, o de uma equipe de futebol, o uniforme utilizado por uma escola pública ou particular, o desenho dos prédios de um condomínio residencial. Padronizar o tamanho e tipo da fonte das letras das páginas de um romance, de um relatório, de uma monografia. De um ofício. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Padronizar redações oficiais de uma empresa pública, em conformidade com as orientações do Manual da Presidência da República. Este é o desafio lançado aos administradores contemporâneos, porquanto não se padronizam ofícios, memorandos, cartas, como se padronizam uniformes. O processo de padronização das redações oficiais alcança maior complexidade, por envolver muito mais pessoas, e pessoas com opiniões divergentes. Entretanto, entendo ser essencial uniformizar os nossos textos oficiais, sob o argumento de que a instituição pública, ou mesmo privada, tem de ter características próprias, como o seu logotipo, sua sigla, que poderão ser lidas e decodificadas por um público-leitor que, ao enxergar o texto padronizado, o identificará como sendo daquela determinada entidade. Mais: a padronização dos textos oficiais garante maior clareza, coesão e coerência em seus enunciados. Clareza e coerência no momento em que o Manual nos orienta para descrever o tópico “Assunto:” logo após as informações do destinatário nos padrões-ofícios, quais sejam o ofício propriamente dito, o memorando e o aviso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Manual da Presidência da República nasceu com essa ideia, a de oferecer subsídios para padronizar os expedientes. Trata-se de um documento que não impõe, não normatiza, mas, ao contrário, traz orientações úteis com as quais podemos elaborar nossas redações oficiais voltadas ao padrão culto da língua. Aqui, cabe-me transcrever um fragmento desta publicação (grifos e negritos meus):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Redação Oficial:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)". Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sei que haverá sempre resistências de parte de leitores e redatores quanto a seguirem à risca a padronização dos textos, o que vejo como reação natural. É preciso conscientizar-se, no entanto, de que a imposição, a todo custo, do estilo de escrever de um autor sobre o estilo de escrever de forma impessoal, clara, concisa, formal e uniforme, poderá, numa eventualidade, obscurecer a clareza de um dado texto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma hora e outra, meus amigos de dentro e fora do trabalho, meus familiares, me questionam a respeito do assunto. Minha sugestão, na condição de professor de língua portuguesa, é que busquem informações do Manual da Presidência da República e, na medida do possível, sigam as orientações deste documento que, importa dizer, embora necessite, a meu ver, de uma urgente atualização e consequente reedição, surge muito mais para somar do que atravancar o processo de produção de textos oficiais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um forte abraço e obrigado por sua atenção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENDES, Gilmar Ferreira at al.Manual de redação da Presidência da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. ed. rev. e atual. – Brasília: Presidência da República: 2002. 140 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponível também em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-5043484528480715527?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/5043484528480715527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/10/padronizacao-de-textos-oficiais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5043484528480715527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5043484528480715527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/10/padronizacao-de-textos-oficiais.html' title='Padronização de textos oficiais'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-8457634853772167048</id><published>2010-08-06T07:55:00.000-07:00</published><updated>2010-08-06T07:55:51.168-07:00</updated><title type='text'>Aportuguesamento de palavras estrangeiras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ao entrar num restaurante, a plaqueta de madeira trincada no alto da entrada anuncia “Buffet”. Perguntei à moça recepcionista:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Boa tarde. Qual o preço do “bufê”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela me retribuiu com a palavra afrancesada com direito a biquinho e tudo: “Ah, o “buffet? R$ 12,50".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entrei, almocei e paguei pela comida. Ao sair, passei pela recepcionista, lhe entreguei a comanda e dela me despedi sem nenhum estresse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A palavra “buffet” tem origem etimológica na língua francesa e os franceses a pronunciam “bifê”. Mas nós brasileiros preservamos o “u” original e a aportuguesamos naturalmente para “bufê” na fala e na escrita. Se você, meu caro leitor, estiver num restaurante brasileiro, em terras brasileiras, penso que deva ficar à vontade em procunciar ou “buffet” francês ou o “bufê” brasileiro. Sempre dou preferência ao nosso tupiniquim bufê e outros aportuguesados. Temos aqui um caso de variação fonética, fenômeno linguístico onde a escolha daquela ou desta forma não comprometerá o significado da palavra em questão, qual seja, grosso modo, a “mesa para servir comes e bebes”. Entretanto, se estou lá nas terras da França, optarei sim pela forma estrangeira “buffet” para facilitar, acima de tudo, a compreenssão do diálogo em meio a franceses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outra forma de aportuguesamento é a variante da palavra inglesa “stress” para o nosso idioma “estresse” . Nunca terei receio ou pudor de optar pela maneira tupiniquim de falar e escrever. É preciso ter consciência de que somos povo brasileiro, falamos e escrevemos a língua portuguesa falada e escrita no Brasil e, como tal, vejo ser natural, coerente e justo que o falante escolha a pronúncia e grafia que ele achar a mais oportuna em dada situação e ambiente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A perolazinha francesa: abat-jour. E tome aportuguesamento para abajur. Ainda bem. Na condição de comunidade brasileiríssima, não somos obrigados a falar ou escrever, pelos menos aqui no Brasil, determinada palavra ou expressão estrangeira nos moldes do respectivo idioma estrangeiro, como buffet, stress ou abat-jour. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma pausa para analisar a expressão aportuguesada abajur. Vejam que preservamos o “r” final. Sem utilidade fonética para nossa pronúncia, pois poderíamos abrasileirar mais ainda este nome francês eliminando o “r”, o que daria origem a abaju, como em “caju”, “Aracaju” e terminações afins.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aqui, cabe uma pergunta: por que aportuguesamos palavras estrangeiras? Para preservar a nossa língua, à procura de uma língua pura, sem mistura? Creio que não. Falamos e escrevemos o “buffet” deles para o “bufê” nosso por razões puramente fonológicas, fonéticas e fonemáticas (relativo ao fonema, por exemplo, escrever “picape” em vez de “pickup” para preservar o som original /a/ ). Aportuguesamos ou abrasileiramos um vocábulo para facilitar a compreensão de um diálogo entre brasileiros. Palavras como buffet, pickup caem na boca do povo brasileiro que as articula de acordo com repertório de vocábulos do seu idioma brasileiro. Ou seja, não é o linguista, o gramático, o estudioso da língua, quem constrói este processo de articulação, quem instaura o aportuguesamento, mas sim o falante nativo, toda a comunidade linguística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Finalmente, é preciso eliminarmos qualquer manifestação de preconceito linguístico, isto é, não aceitarmos a possibilidade de um brasileiro ser ridicularizado quando ele pronuncia uma palavra estrangeira do seu jeitinho de falar abrasileirado. Jeitinho este correto, diga-se de passagem, porque o falante é brasileiro, nasceu e vive no Brasil. Havemos de ser no mínimo gramaticalmente coerentes, não? E menosprezar este seu jeito de pronunciar é menosprezar inconscientemente o próprio idioma brasileiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-8457634853772167048?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/8457634853772167048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/08/aportuguesamento-de-palavras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8457634853772167048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8457634853772167048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/08/aportuguesamento-de-palavras.html' title='Aportuguesamento de palavras estrangeiras'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-8339791156939595960</id><published>2010-07-13T12:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T12:01:26.905-07:00</updated><title type='text'>“Eu te amo mamãe”</title><content type='html'>“Eu te amo mamãe”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os papéis sobre a mesa de madeira ainda com restinhos de biscoito doce. Depois do café da manhã, minha mãe entregou-me aqueles papéis e um punhado de lápis de cor. Disse-me ela que era para eu fazer desenhos ou outra coisa que criança daquela minha idade, sete anos, gostava de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus-me a rabiscar o papel com lápis cor de laranja escuro. Um círculo e nada mais. Vez em quando, ela encurtava os passos, caminhava perto de mim, como se por acaso, mas eu percebia que passeavam os seus olhos em minha direção. Detinha-se por alguns instantes ao meu lado, a pensar alguma coisa, e acenava com a cabeça um gesto de aprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorria, satisfeito, com a reação dela. Todavia, não me contentei com o desenho apenas do círculo. Um belo círculo, na cor laranja, mas que não passava de um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cogitei que haveria de colocar algo dentro do círculo. Minha mãe, neste momento, lavava louças na cozinha e cantarolava cantigas para crianças. Fiquei surpreso quando ela usou belissimamente o meu nome numa dessas cantigas. Meu coração estava leve e sereno com o coração dos anjos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi que a ideia pululou do céu até minha cabeça. Abri mais o sorriso, fitei a minha mãezinha com os olhos cheios de amor, tremulei as mãos e, pela primeira vez, escrevi dentro do círculo minha primeira escrita, minhas primeiras palavras: “Eu te amo mamãe”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-8339791156939595960?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/8339791156939595960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/07/eu-te-amo-mamae.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8339791156939595960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8339791156939595960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/07/eu-te-amo-mamae.html' title='“Eu te amo mamãe”'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-8353551026599668679</id><published>2010-06-17T05:50:00.001-07:00</published><updated>2010-06-17T05:50:30.804-07:00</updated><title type='text'>SONETO À BOLA</title><content type='html'>Soneto à bola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela! Já passeias glamourousa entre os gigantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em chuteiras dos Deuses têm os pés vestidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são estes homens como os guerreiros de antes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de seus espíritos estão encarnecidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bola! Os estádios são teu Império, os amantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus que te beijam co’s pés deixam embevecidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos olhos como casais negros errantes &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De andorinhas à caça d’um trunfo, enlouquecidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus “Feiticeiros” - os Canários titânicos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus Guerreiros da Espanha e os da terra de Camões,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digladiam-se, todos, junto à tropa de Britânicos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A querer te possuir estes bravos Guardiões,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viris - por te enlaçar com dribles arquitetônicos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Febris - por te fazer arfar em alvíssimos cordões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-8353551026599668679?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/8353551026599668679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/06/soneto-bola.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8353551026599668679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/8353551026599668679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/06/soneto-bola.html' title='SONETO À BOLA'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-7714314065025416934</id><published>2010-04-23T07:09:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T12:07:22.945-07:00</updated><title type='text'>Pixinguinha: uma estrela ascendente</title><content type='html'>Pixinguinha: uma estrela ascendente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu coração, não sei por que/Bate feliz, quando te vê/ E os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão te seguindo / Mas mesmo assim, foges de mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pixinguinha, ao lado do parceiro João de Barro, desentranhara estes versos, fragmentos iniciais da canção Carinhoso (1916-1917). E prosseguira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ah! Se tu soubesses / Como sou tão carinhoso / E muito e muito que te quero / E como é sincero o meu amor / Eu sei que tu não fugirias mais de mim / Vem, vem, vem, vem(...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração, coração acelerado e desacelerado, máquina de inventar poesias, quisera ir mais adiante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vem sentir o calor / Dos lábios meus / À procura dos teus / Vem matar esta paixão / Que me devora o coração / E só assim então / Serei feliz, bem feliz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, nasceu no dia 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro. Era compositor, flautista, saxofonista e arranjador. Sua canção Carinhoso até os dias de hoje vagueia bela por bares, redutos de sambas e chorinhos, e vai contagiando casal de senhores e par de moçoilos enamorados. Diz-se que, após ter sido vítima de varíola, recebeu o apelido de Bexiguinha, depois Pechinguinha. E, finalmente, Pixinguinha. Compôs também Rosa (1917), outra de suas crias que, a exemplo de Carinhoso, faz rotineira pousada em lugarejos de boemias no Brasil e fora das terras tupiniquins, enchendo de amor os jardins de nossas vidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás, meu sobrinho e afilhado de 15 anos de idade – que ostenta uma delicada tatuagem nas costas, fá de carteirinha do Clube Regatas Flamengo Esporte Clube (sou vascaíno!), apreciador do samba contemporâneo da banda Exaltasamba, pessoa de tenra idade do século XXI – cantarolava ele assim com aquela voz encorpada de garoto de espinhas no rosto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tu és, divina e graciosa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estátua majestosa do amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Deus esculturada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E formada com ardor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da alma da mais linda flor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De mais ativo olor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que na vida é preferida pelo beija-flor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sobressaltado. O danado recitava música de Pixinguinha. Precisamente Rosa. Sorridente, falei a ele que aquela melodia que saía de sua boca era coisa nascida de muitos anos atrás e que ele estava dando nova vida a seu autor, o Pixinguinha. Ele retribuiu-me o sorriso e adentrara a sua casa a cantarolar outras coisinhas de samba moderno. Decerto, tinha ouvido a canção Rosa em algum lugar desses cantinhos de Brasília onde ainda se pode ouvir poesia cantada de primeira qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Em 1911, Pixinguinha juntou-se à orquestra do rancho carnavalesco Filhas da Jardineira ou simplesmente As Jardineiras, onde conheceu os seus amigos sambistas Donga e João da Baiana. Foi chamado numa época de Carne Assada, pois uma vez apropriou-se de um pedaço de carne assada antes do almoço que seria servido pela família aos convidados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frequentava as rodas de choro na famosa casa da sambista e baiana Tia Ciata, que ajudou a levar o samba da Bahia para o Rio de Janeiro. Na casa da Tia Ciata, o choro acontecia na sala, e o samba, no quintal. Lá é que nasceu o famoso Pelo telefone (O chefe da polícia pelo telefone manda me avisar/que na Carioca tem um a roleta para se jogar...), de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba gravado de que se tem conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O precoce artista “matava” aula para tocar na casa de chope A Concha, na Lapa Boêmia, no que seria o seu primeiro emprego. “Às vezes, ia lá com a farda do Colégio São Bento”, revelou Pixinguinha em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1955, Pixinguinha gravara seu primeiro long-play (LP) intitulado Velha Guarda e, em novembro de 1957, foi um dos convidados pelo presidente Juscelino Kubitschek a almoçar com o trompetista Louis Armstrong no Palácio do Catete. Em 1958, sofreu um mal súbito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1971, sua esposa, Dona Beti, foi internada num hospital. Dias depois, Pixinguinha sofrera mais uma complicação cardíaca e foi também internado no mesmo hospital da sua esposa. Para que ela não soubesse que ele também estava doente, o sambista colocava um terno nos dias de visita e ia visitá-la como se estivesse vindo de casa. Dona Beti morreu no dia 7 de junho de 1972, aos 74 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais outra: certa vez, numa madrugada, quando Pixinguinha regressava de uma apresentação, ele foi surpreendido por assaltantes. Os bandidos reconheceram o músico e devolveram seu dinheiro e flauta. Pediram desculpas ao sambista e ainda resolveram escoltá-lo até sua casa, mas no meio do caminho avistaram um botequim. Aí o que deveria acabar em assalto acabou foi em samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses episódios fizeram com que Vinícius de Morais dissesse que, se não tivesse nascido Vinícius, queria ter nascido Pixinguinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento. Ao lado de Carinhoso e Rosa, a música-choro Lamento (1928) de Pixinguinha também é saboreada costumeiramente em casas de choros, chorinhos e sambas de raiz em Brasília (Clube do Choro, Calaf, Garota Carioca), no Rio de Janeiro (Carioca da Gema e em toda a Lapa) e por todo o Brasil, desde as grandes cidades até as cidades interioranas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 17 de fevereiro de 1973, o nosso Pixinguinha falecera. Diz que fora erguido aos céus por alguém para ficar ao lado de outras estrelas. Pixinguinha-estrela, mas nunca cadente. Ao contrário, estrela ascendente que sobe e brilha mais intensa a cada vez que ouvimos e cantamos Carinhoso, Rosa, Lamento, dentre tantas outras, renascidas nas cordas de um cavaquinho ou violão. De uma flauta, de um trompete, de um saxofone. Rosa que desabrocha ainda, clássica, na voz de um certo menino de 15 anos de idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num desses sábados, fui até a banca de jornais próxima de minha casa e lá estava Pixinguinha, vivo, iluminado, a descansar numa prateleira de CDs e livros de bolsos. Sua foto estampada em preto branco de um lado da capa e, de outro lado, um rol de títulos de músicas suas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemoramos o Dia Nacional do Choro na data de 23 de abril, que é oficialmente uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. Junta-se a essa celebração a concessão, por decreto municipal, da Rua Pixinguinha onde o compositor carioca residia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o nosso coração, Pixinguinha, há muito já sabe por que bate mais feliz quando te vê!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-7714314065025416934?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/7714314065025416934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/04/pixinguinha-uma-estrela-ascendente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7714314065025416934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7714314065025416934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/04/pixinguinha-uma-estrela-ascendente.html' title='Pixinguinha: uma estrela ascendente'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-5098273819736034452</id><published>2010-04-20T10:45:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T10:45:58.470-07:00</updated><title type='text'>A dor de Fernando Pessoa</title><content type='html'>A dor de Fernando Pessoa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O estudo a meu respeito, que peca só por se basear, como verdadeiros, em dados que são falsos por eu, artisticamente, não saber senão mentir".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se lá que se deixou passar na mente sã ou doentia de Fernando Pessoa quando seus neurônios, num instante demasiadamente divino, resolveram jorrar estes versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta é um fingidor&lt;br /&gt;Finge tão completamente &lt;br /&gt;Que chega a fingir que é dor&lt;br /&gt;A dor que deveras sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa página de livro, em Interpretação do texto, os olhos de um estudante leem e releem a questão-desafio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é a dor para o autor do texto (Fernando Pessoa)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aluno coça a cabeça, olha para um lado e outro. Talvez à procura de outra pessoa, o Fernando Pessoa, a quem não titubearia em lhe pedir ajuda: “Ei, poeta, o que você quis dizer com estes versos?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este aluno, meus caros, sou eu, 25 anos atrás, autor desta modesta coluna, ocupante da cadeira número sabe lá das quantas da então sala de porta com a etiqueta branca: “5ª Séria-B”. Era como se ouvisse o murmurar de algum guru a me convidar para o mundo das interpretações de texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi à querida docente que a dor para Pessoa poderia ser a própria dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me alertou que minha resposta estava errada e me afirmou que a única resposta achava-se clara, explícita no texto, a saber: “A dor que deveras sente”. Eu a contra-argumentei, com toda a minha respeitosa entonação de voz, que a minha resposta poderia estar errada ou certa do ponto de vista do autor dos versos. Que, portanto, para ter a resposta exata, teríamos de levar a pergunta a Fernando Pessoa. E lhe falei ainda (aí fui audacioso) que era como se ela, minha estimada professora, quisesse adivinhar o que eu estava pensando naquele momento. Que, então, só poderíamos apresentar hipóteses de respostas para aquela pergunta de interpretação textual. Eu a convenci e ganhei o ponto. E nem foi preciso consultar Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pura teoria, o exercício de interpretar um texto, seja em forma de poesia (versos de Pessoa), de prosa (um romance de Machado de Assis), seja uma mera frase, significa esmiuçá-lo, dissecá-lo, penetrar em suas entranhas, ou seja, perceber sua temporalidade (época em que foi escrito), até mesmo a biografia de seu autor para vincular seus comportamentos, suas idéias e ideais ao conteúdo do texto. Significa, num segundo plano, identificar os seus elementos articulatórios e coesivos cuja fusão irá conferir compreensão do texto. À frente da poesia, é necessário que percebamos o seu jogo metafórico exposto pelo autor e participemos deste jogo onde cada palavra, cada junção de palavras, cada encadeamento de frases, dos versos, das estrofes, nos dará suporte para interpretar e compreender as nuances do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa perspectiva filosófica, interpretar poesia pessoana é tentar interpretar Fernando Pessoa. Sim, limitar-se a tentar, vez que este poeta convivia com seus heterônimos Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, três criações de sua própria mente que o fizeram homem de alta complexidade. Quem era quem? Personagens teatrais apenas? Quem deles era autor ou coautor de determinada poesia de Fernando Pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se “O poeta é um fingidor”, podemos interpretar e inferir que Pessoa foi um fingidor, de sorte que fingia ora ser Ricardo, ora ser Álvaro, ora ser Alberto. E fingia tão completamente que chegava a fingir que era dor a dor que deveras sentia, a ponto de nos confessar que "A origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica para a despersonalização e para a simulação" e, ainda, "Eu sou a sensação minha. Portanto, nem da minha própria existência estou certo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que inicia seu árduo trabalho de imbricar as palavras, os versos e as rimas, o poeta não tem a intenção de entregar uma poesia com a finalidade - ainda que secundária - de levar ao leitor um trabalho exclusivamente de interpretação textual da sua obra. O poeta concebe a poesia porque sente necessidade de fazê-la, como a carregar no coração e na alma um turbilhão de sentimentos e ansiedades e jorrar tudo para fora mediante manifestação poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interpretar obra pessoana é querer caminhar e se aventurar numa estrada interminável, onde, em dada ocasião, o viajante-interpretador inevitavelmente haverá de se permitir em se delirar para que possa interpretar pensamentos de Pessoa que, sobre estes, denunciara: “Introduzem-se em mim: não são pensamentos meus, mas pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não me sinto inspirado, deliro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À volta de que acabo por relatar, é prudente concluirmos que interpretar qualquer cousa escrita de Fernando Pessoa implica hipotetizar, deduzir o significado de sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afortunados os que, naqueles tempos, puderam cruzar o caminho de Pessoa, ter-lhe apertado a mão, ter-lhe oferecido um sorriso, e dele arrancar respostas, ainda que “simuladas”, para as nossas questiúnculas de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por derradeiro, inspirado pela proposta apresentada pelo nosso colega colunista Maurício Zampaulo em sua texto “Arte é conhecimento”, aos amigos leitores, interpretadores textuais por natureza, lanço-lhes este desafio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que foi a dor para o autor do texto (Fernando Pessoa)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto com a importante participação de sua “pessoa”, enviando a sua resposta e seus comentários por e-mail. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado pela atenção, certo de que nos veremos brevemente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-5098273819736034452?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/5098273819736034452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/04/dor-de-fernando-pessoa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5098273819736034452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5098273819736034452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/04/dor-de-fernando-pessoa.html' title='A dor de Fernando Pessoa'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-4025774714045295886</id><published>2010-03-15T07:59:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T07:59:25.540-07:00</updated><title type='text'>Gramática: reformá-la é preciso.</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “(...) o gramático treinado sabe se uma palavra dada é um adjetivo ou um verbo não por se referir a tais definições, mas praticamente da mesma maneira pela qual todos nós ao vermos um animal sabemos se é uma vaca ou um gato”. (Jespersen, 1924, p. 62)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ai da alma pensante que pronunciar em público, em voz alta, a seguinte frase: A gente vamos alcançar estes objetivos. Será ela motivo de risinhos, piadinhas e de olhares tesos das pessoas que a ouvem. Todavia, estas pessoas não se dão por conta de que tal frase, embora confronte duramente com a Gramática Tradicional (a normativa ou prescritiva), alcança também a coerência, objetividade e correção gramatical do ponto de vista da Variação Linguística. Nessa perspectiva, o sujeito “A gente” encerra a idéia clara de coletividade, e portanto, podemos traduzi-la espontânea e naturalmente para “Nós”, ou seja, subjaz a informação de que há mais de uma pessoa, ao menos duas, que alcançarão estes objetivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em seu livro “Para uma nova gramática do português”, Mário Perini aponta que a maior falha da nossa gramática tradicional está na “ausência de conscientização adequada do importe teórico das afirmações que constituem a gramática”. Em outras palavras, ele quer nos atentar para o fato de que a gramática normativa impõe uma determinada regra, mas não explica nem exemplifica as razões desta regra. Por exemplo, não explica por que o sujeito é o termo sobre o qual se faz uma declaração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vejam estas duas frases para que juntos façamos um exercício de análise sintática lógica:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 1) Esse lanche eu não vou comer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 2) Em Fortaleza faz muito sol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se lhe pedir para me dizer qual o sujeito de cada uma das frases, provavelmente eu teria as seguintes respostas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 1) Sujeito: eu (justificativa: quem não vai comer esse lanche?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;2) Sujeito: inexistente ou oração sem sujeito (justificativa: verbo fazer em referência a fenômenos da natureza).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estas são as esperadas respostas da maioria esmagadora de quem as analisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entretanto, estas respostas resultam num contraditório explícito da gramática normativa ao afirmar que sujeito é o termo sobre o qual se faz uma declaração. A contradição é registrada quando notamos que as referidas declarações não são feitas sobre o termo-sujeito “eu” mas sim sobre o termo “Esse lanche” que, diga-se de passagem, é objeto direto da frase. Na segunda frase, a declaração é feita a respeito de Fortaleza, o que, conforme a afirmação da gramática normativa, teríamos, por consequencia, “Fortaleza” funcionando como o sujeito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A gramática também não elucida por que sujeito é aquele que pratica a ação. E mais uma vez cai em contraditório como na frase na voz passiva “Vendem-se casas”, onde o “se” é uma partícula apassivadora. Esta gramática tradicional/normativa/prescritiva orienta que o verbo deve ir para o plural para concordar com seu sujeito “casas” o qual, por sua vez, evidencia-se quando a frase é transportada para a voz ativa “Casas são vendidas”. Esquece, no entanto, que quem pratica a ação não é “casas”, pois casas não se vendem, mas sim alguém, uma pessoa ou pessoas, um vendedor ou vendedores. Por conclusão, muitos gramáticos e linguistas e, principalmente, os falantes brasileiros de todas as classes sociais, entendem que o sujeito não poderia ser “casas”, porém um agente qualquer indeterminado. De outro lado, Celso Luft acreditava que a interpretação seria “casas” como sujeito por ser a "sintaxe mais conceituada junto a pessoas de prestígio social e cultural". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mário Perini arrisca uma definição de sujeito:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sujeito é o termo com o qual o verbo concorda.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na inexistência de uma definição ou conceito mais adequado de sujeito, penso que a de Perini pode ser vista como a mais aproximada da realidade gramatical e semântica e que, seguramente, constaria numa das páginas da nova gramática reformulada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que quero deixar claro aqui é que a gramática de hoje estaria sendo muito mais social e culturalmente democrática e ética se nos mostrasse em suas páginas as duas variedades de construções, como duas formas diferentes de interpretações pelos falantes do idioma: a) “Casas” como sujeito da oração e b) “Casas” como sujeito indeterminado por força da construção frasal “Vende-se casas” em que não haveria pluralização do verbo vender. A gramática erra na medida em que deixa para trás o estudo do pragmatismo (o sentido de tudo está na utilidade - ou efeito prático - que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar) e da semântica (significação do ato ou objeto), dois eixos intrinsecamente ligados a ela e que, há milhões de anos, fazem parte do pensamento e da linguagem do ser humano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; São estas discrepâncias, dentre muitas outras, que nos deixam duvidosos quanto à veracidade de algumas afirmações da Gramática Tradicional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha proposta, na qualidade de professor de língua portuguesa, educador e pesquisador e, especialmente, como falante do idioma brasileiro, consiste na reformulação da gramática que hoje consultamos. Uma reformulação baseada nos princípios linguísticos que levassem em consideração as necessidades reais dos falantes brasileiros, as idiossincrasias, particularidades de seus regionalismos e seus subdialetos, dos falares e subfalares do Norte ao Sul do país. Uma reformulação que deixasse registradas nas páginas dessa nova gramática as variáveis e variantes lingüísticas de certas comunidades, respeitando seus modos de dizer e escrever a mesma coisa em um mesmo contexto, com idêntico valor de verdade. Agindo assim, a nova gramática estaria desmoronando um cruel e antigo tabu: o preconceito lingüístico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mário Perini e tantos outros estudiosos do tema estão trabalhando neste propósito, por meio de suas palestras, publicações de artigos, resenhas, ensaios e livros. Seus trabalhos estão chegando às Faculdades de Letras do Brasil. Obstáculos existem para almejar tal missão, mas com o passar dos anos, a gramática terá mudanças, ou melhor, ganhará reformas com vistas a se adequar às diferentes sociedades brasileiras que falam e escrevem o idioma que lhes melhor convier. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acredito que a gente vai (ou vamos) alcançar estes objetivos, porquanto somos cidadãos de direitos e deveres e formamos essa sociedade. Nessa linha, remonto ao sociolinguista americano William Labov (1960), expoente maior da Variação Lingüística, que sempre insistiu na relação entre língua e sociedade (sociedade que é feita de gente) para fundamentar seus estudos em torno da sociolingüística quantitativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Finalizo este artigo com uma máxima do porto-alegrense Luís Fernando Veríssimo, filho do escritor Érico Veríssimo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliografia comentada:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perini, Mário A. (2000). Para uma nova gramática do português.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Editora Ática, São Paulo/SP.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro apresenta uma proposta de renovação do ensino gramatical em nossas escolas, a partir de uma crítica das bases da gramática tradicional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tarallo, Fernando (1997). A pesquisa sócio-lingüística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Editora Ática, São Paulo/SP.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor discute tópicos gerais da teoria da variação e da mudança lingüística e apresenta os passos metodológicos a serem trilhados pelo pesquisador atuante na teoria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-4025774714045295886?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/4025774714045295886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/03/gramatica-reforma-la-e-preciso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/4025774714045295886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/4025774714045295886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/03/gramatica-reforma-la-e-preciso.html' title='Gramática: reformá-la é preciso.'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-5406242356080384282</id><published>2010-02-08T05:53:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T05:55:41.410-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (INRI): os pingos nos “is”, os pingos nos jotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Lá estão elas, pequenininhas e fixadas no alto de um crucifixo, as quatro letrinhas sagradas: INRI. São iniciais da expressão latina Iesus Nazarenus Rex Iudaeroum. Tradução para o nosso português: Jesus Nazareno Reis dos Judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A dita expressão costumava ser falada e escrita pelo povo latino, como os soldados romanos, cuja linguagem carregava o rótulo social de  estigmatizada por ser coloquial, popular. Havia também a sua variante linguística culta, a de prestígio social, assim lida e grafada: ieshva nazareno rex ivdaeorvm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Chamo atenção dos leitores a este fato histórico para exemplificar a origem do pingo na letra “j” (jota: do latim iota). Recentemente chegaram-me discussões em torno da obrigatoriedade deste pingo na letra “j” minúscula (javali) e/ou maiúscula (Jaguaribe) em redações exigidas nas provas escritas de concursos, vestibulares e em outras situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Diante de tal debate, quero apresentar-lhes as seguintes  ponderações sobre a necessidade ou não-necessidade do uso deste pingo no “j”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          1ª) Na língua latina, usava-se o “I” como na palavra Iesus. Séculos e séculos após, os falantes da língua portuguesa, que é uma língua derivada do Latim, foram aos poucos articulando o “I” para o “j” com a consequente preservação do pingo no “I”, fenômeno linguístico denominado consonantização. A dúvida reside se nós falantes contemporâneous devemos usar o pingo também quando o “j” (jota) estiver em sua forma maiúscula. Ora, percebemos que no universo de jornais, revistas, livros, textos contendo linguagem culta ou mesmo popular, não se utilizam o pingo no jota maiúsculo, mas sim no minúsculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Grafamos então todos os jotas minúsculos, assim: javali, jabá, jeito, jantar, jura, jiló.&lt;br /&gt;         Mas grafamos os jotas maiúsculos assim, sem o pingo: João, Juju, Jaguari.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;          2ª) Entretanto, há um contraditório nessa manutenção do pingo no “j” durante a passagem do idioma latim para o português (Iesus para Jesus), qual seja o simples fato de hoje falarmos e escrevermos língua portuguesa do Brasil e não lingua latina. Não escrevemos discipulus, mas sim discípulo; não escrevemos Iesus, mas sim Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          3ª) O emprego ou não-emprego do pingo no “j” minúsculo ou maiúsculo não vai alterar o significado da palavra que contenha esta letra. Digo mais: não vai comprometer a clareza do sentido da palavra ou da frase. Portanto, será indiferente o uso de uma ou outra forma, ou seja, com ou sem pingo não afetará a semântica da coisa. Ao contrário da omissão do sinalizador de cedilha do “ç” que afetaria a compreensão de um vocábulo como “taça” caso se tenha a intenção de usar um vocábulo que signifique copo (ex.: Quero uma taça de vinho) em confronte com a palavra taca (do verbo tacar) como em “O jogador taca a bola de futebol para fora do campo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          4ª) Não se tem conhecimento da existência de gramática alguma, manual de redação ou outra publicação congênere que oriente a escrever obrigatoriamente o “j” (jota) minúsculo acompanhado do pingo. Apenas notamos que esta letra vem registrada, com pingo, no alfabeto da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Finalmente, concluímos que uma banca examinadora de concurso ou vestibular não deve exigir o uso obrigatório do pingo no jota minúsculo, pois não existe regra pré-existente sobre tal obrigatoriedade de uso. Por outro lado, deduzimos também que é de uso mais frequente e tradicional o pingo no j, de maneira que seria prudente ao candidato que faz a questão de prova optar pela forma do “j” minúsculo com pingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         E se existe uso facultativo de determinada grafia e/ou pronúncia de palavra, verbete, optemos pelo uso daquilo que é mais frequente e tradicional, a exemplo de acrobata em vez de acróbata; safári no lugar de safari ou jibóia com pingo no “j”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-5406242356080384282?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/5406242356080384282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/02/iesus-nazarenus-rex-iudaeorum-inri-os.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5406242356080384282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5406242356080384282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/02/iesus-nazarenus-rex-iudaeorum-inri-os.html' title=''/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-5554523321977867124</id><published>2010-01-25T07:48:00.000-08:00</published><updated>2010-01-25T07:50:22.156-08:00</updated><title type='text'>Lendo, escrevendo e reescrevendo o mundo</title><content type='html'>Lendo, escrevendo e reescrevendo o mundo&lt;br /&gt;                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro A importância do ato de Ler, Paulo Freire sabiamente filosofou que “a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevê-lo’ (...)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inevitavelmente nascemos leitores. Dentro de casa, fora de casa, no ambiente de trabalho, no shopping, na praia, na terra ou no mar, estamos a toda a hora praticando leituras. A leitura na televisão, nos relatórios, correspondências oficiais, nas fachadas e anúncios de lojas e cinemas, nos cartazes das barraquinhas à beira mar. A leitura do mundo sob o olhar de Paulo Freire, este notável educador pernambucano que ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias, faleceu em 1997, mas nos deixou um legado de livros de sua autoria em torno da área de educação. Obras que nunca se esgotam, ao contrário, adquirem vitalidade a cada dia que se passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomo à prática da leitura e a questão que emerge é esta: por que e para que ler? Ler é tão essencial em nossas vidas que nascemos lendo. Lemos as palavras que vivem a se esconder nos vários cantos do mundo. O sol que nasce e se põe, os rebentos das ondas do mar, o trânsito dos carros nas vias urbanas, a peregrinação relutante dos búfalos em terras africanas, as cigarras brincando de fazer orquestras que explodem em nossos ouvidos, o brilho das luzes e as canções do Natal. Uma final entre duas equipes de futebol em copa do mundo. Tudo isso compreende ato de leitura. Então, eis a resposta à pergunta inicial deste parágrafo: lemos porque nascemos lendo e sentimos necessidade de fazê-lo, lemos com a finalidade de satisfazer nossas ansiedades em descobrir o que ainda não foi descoberto e para recriar e rever o que já existe. Lemos porque ler faz bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um hora e outra, ouvimos alguém advertir que as crianças leem pouco. Esta declaração encerra uma meia-verdade. O que acontece é que elas leem muito mais aquilo que está registrado fora do papel, das páginas de um livro, revista ou jornal. Fazem leitura diariamente na televisão, por exemplo, quando assistem a desenhos animados, filmes, programas de auditório. Seria de elevada importância se estes pequenos telespectadores escrevessem as imagens televisivas no caderno, cada uma delas redigindo a seu jeitinho peculiar sem a interveniência do adulto e, depois, comparassem seus textos com os textos de outras crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso estimular nossos filhos, sobrinhos, netos, a ler e a escrever. Esta é missão precípua de nós, pais, mães, tios, avós. Ensiná-los a extrair as palavras do mundo. Aconselho que passeiem com a criança até um cenário perto ou longe de sua casa, pode ser um parquinho, um clube, a rodoviária, o jardim botânico, o parque da cidade, o zoológico. Cenário inspirador é que não falta. Deixe ela observar, se deliciar com a paisagem natural, as árvores, as flores, as plantas, os bichos, deixe ela ouvir, ver e sentir. O murmurar das pessoas, o canto dos passarinhos, o contato com a areia, com a toda a natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça com que a criança se sinta à vontade e peça a ela para sentar num banco da praça ou debaixo de uma árvore. Então brinque com ela de escrever num papel, em detalhes, as coisas que vocês dois estão vendo e ouvindo naquele instante. Após este exercício de escrevinhar no papel as coisas da natureza, peça à criança para ler para você a historinha dela. Depois será a sua vez de ler o seu texto. Acredite, você estará educando a criança de uma forma magnífica que lhes darão bons frutos a curto prazo. Mais: você e ela estarão lendo o mundo e registrando as palavras-mundo no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este constitui um trabalho eminentemente educativo e pedagógico, por meio do qual a criança é estimulada a escrever de forma espontânea, natural, isto é, sem aquela imposição da escola tradicionalista que teima em obrigar o aluno a escrever e ler uma redação, o que resulta, na maioria das vezes, numa tarefa mecanizada, robotizada, sem aproveitamento algum da criatividade e conhecimento da criança. Com este trabalho de pôr tudo no papel as coisas vistas, ouvidas e sentidas, não demorará muito para que criança adquira o hábito de ir até a biblioteca ou livraria à procura de algum livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pequeno, por volta de meus 8 anos de idade, lia a leitura do mundo. O mundo onde vivi minha infância, expresso em cores vivas nos mares de Mucuripe da cidade cearense de Fortaleza, nas jangadas abarrotadas de peixes, seus jangadeiros, os vendedores de tapioca, de picolé de castanha-de-caju. As nossas brincadeiras de menino, puxar carrinho de rolimã, soltar pipa, fazer barquinhos de papel. As músicas regionais, forró, o baião, as cantorias dos repentistas. A leitura da natureza foi o que mais me contagiou e me inspirou a escrever minhas histórias, algumas até inventadas com personagens fantasiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a escola, onde fica nesta história? A escola assume um papel fundamental no processo de aquisição do hábito de leitura infantil. Seus professores devem conclamar os pais e responsáveis dos alunos para participarem de reuniões pelo menos uma vez por mês visando a discutirem sugestões, projetos em torno de como estimular a criança a ler e escrever, em frequentar mais vezes a biblioteca (não por imposição do professor, mas por imposição espontânea do próprio aluno que escolherá o livro de sua preferência). Traz-nos despreocupação saber que algumas escolas aos poucos vêm adotando este procedimento juntamente com os pais das crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos, cada um de nós pode reunir histórias vivenciadas até agora em nossas vidas, desde a infância aos dias atuais, e registrá-las em forma de páginas como num livro. Seria bem recomendável que crianças, adolescentes, jovens, idosos utilizassem um caderno-diário e nele registrem os fatos ocorridos em seu dia-a-dia. Agindo assim, estaríamos praticando uma tarefa salutar que extrapola o exercício de memorização, na medida em que estaríamos, sem se dar por conta, realizando a leitura do mundo no passado e recriando-a para o mundo presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa visão freireana, o que a criança prescinde de fato é não apenas receber recomendações para ler este ou aquele livro, mas ser estimulada, desde a sua tenra idade, a ler, escrever e reescrever o mundo no qual ela e todos nós convivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                -----------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler (em três artigos que se completam).&lt;br /&gt;                    Prefácio de Antonio Joaquim Severino. São Paulo: Cortez/ Autores Associados.&lt;br /&gt;                    (26. ed., 1991). 96 p. (Coleção polêmica do nosso tempo).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-5554523321977867124?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/5554523321977867124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/01/lendo-escrevendo-e-reescrevendo-o-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5554523321977867124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/5554523321977867124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2010/01/lendo-escrevendo-e-reescrevendo-o-mundo.html' title='Lendo, escrevendo e reescrevendo o mundo'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-3401217540441306890</id><published>2009-12-18T06:06:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T06:07:07.143-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Natal no sertão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva descansa nas telhas da casa caída...&lt;br /&gt;- Trais  os minino prá dentro, cumadi Enedina!&lt;br /&gt;A turva palavra da Joana, neta da Iêda parida,&lt;br /&gt;É uma voz que vacila, mas que ainda domina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumejam os trovões. É hora da quente bebida.&lt;br /&gt;- Quêde o café? Bota água no fogo, Minina!&lt;br /&gt;E o preto pó a essa gente singela fornece vida.&lt;br /&gt;E do gordo bolo de fubá resta apenas a fatia fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva cansa de cair nas telhas da casa caída...&lt;br /&gt;- Eita, fio, vai cumprá dois frango lá na casa da Carmina.&lt;br /&gt;E o rosto da criança sorri  e nele floresce uma alegria incontida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junta-se à alma do sertão a peregrina alma natalina&lt;br /&gt;Que está a murmurar nos corações dos vários povos detida,                                            &lt;br /&gt;A trazer chuva, café e bolo a essa gente da cumadi Enedina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-3401217540441306890?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/3401217540441306890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/12/natal-no-sertao-chuva-descansa-nas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3401217540441306890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3401217540441306890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/12/natal-no-sertao-chuva-descansa-nas.html' title=''/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-6114323552625463078</id><published>2009-12-11T05:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T05:42:48.637-08:00</updated><title type='text'>A linguagem na internet (salas de bate-papo)</title><content type='html'>O artigo de Bruno Rodrigues “666, o número da internet” traz novas interrogações aos leitores a respeito da linguagem usada nas salas de bate-papo da Internet. Primeiramente é preciso deixar bem claro que esse tipo de linguagem não fere, não maltrata, não macula, muito menos destruirá a língua falada e escrita fora da internet. Quem transforma a língua é a sociedade (falantes) e não uma gramática, um dicionário, uma lei, um decreto. A gramática, o dicionário, estão ali parados, como poças d’água, e eis que, como correnteza de rio, lá vem a língua sempre dinâmica e inovadora para passar pelas poças d’água. A língua é viva, no sentido restrito da palavra, pois ela só existe com a existência do homem. E guardemos isto: o homem, sentindo a necessidade natural de se comunicar de uma determinada forma na escrita ou na fala, ainda que seja numa forma inédita, estranha portanto, ele o fará doa a quem doer. Doa à gramática, doa aos dicionários, doa aos professores. Se as pessoas de hoje escrevem, num certo ambiente lingüístico, “kd vc” em vez de “cadê você” é porque elas estão dentro de um contexto social e cultural que lhes permite escrever desse modo. Se um dia escreveremos “kd você? Responder “sim” a essa questão é tão incerto como responder “não”. Mas não esqueçamos que um dia, anos e anos atrás, escrevíamos “Vossa Mercê” e que, com o passar dos anos, combinamos essa expressão para o “Você” (Vo de Vossa e ce de Mercê). Então, lhes pergunto: essa transformação do vossa mercê para o você trouxe prejuízo para a nossa língua? Creio que não.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Então tudo é permitido na língua? Tudo é permitido desde que, primeiro, se considere o ambiente, o local em que se realiza a comunicação e, segundo, que os seus interlocutores (quem escreve, quem lê) consigam entender a mensagem). Um falante que fala ou escreve empregando gírias em sua carta para alguém com quem tenha afinidade, como sua namorada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ex.: E aí mina, vamos pegar um som hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira condição: ele tem que ter relação de afinidade com ela (no caso, são namorados).&lt;br /&gt;Segunda condição: ela tem que entender o significado das palavras “mina” e som” dentro da frase-convite. Caso ela não compreenda as duas palavras, haverá prejuízo na comunicação entre o casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa ida minha a Salvador, Bahia, estava eu passeando numa praça perto do hotel em que me hospedava. Entrei numa banca de revistas e perguntei ao jornaleiro “E aí, tudo em cima? Ele me olhou arqueando as sobrancelhas, ergueu a cabeça pra cima e me respondeu “como assim? Certamente o bom jornaleiro desconhecia o outro significado da expressão-gíria “em cima” empregada naquele contexto lingüístico “tudo em cima?” equivalente a “tudo bem?. Nesse caso, o uso da gíria comprometera a comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas essas poucas considerações, podemos inferir, grosso modo, que as coisas devem ser ditas e escritas a determinadas pessoas no lugar e no tempo certo. Assim é o emprego da linguagem na Internet, fenômeno que tende a se restringir à própria Internet. Entendo que a língua empregada pelos internautas não teria utilidade prática no campo real. É provável que a síncope ou abreviação de palavras (você &gt; vc; tc &gt; teclar) seja adotada no futuro, em virtude da evolução da própria língua e da constante busca da originalidade no processo de comunicação pela língua escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na condição de instituição viva, a língua escrita e a falada estão presente no cotidiano de cada um de nós. Pessoas menos preparadas ou saudosistas tendem a interpretar essa nova forma de comunicação nas “salas de bate-papos” como uma espécie de deterioração ou degeneração da língua. Penso que esse raciocínio é falho, pois a língua está em constante movimentação. Não se estagna como uma poça de água. Adquire novos elementos e põe outros em desuso. Esse é um processo natural que faz com que as línguas evoluam e acompanhem as transformações sociais, econômicas e culturais dos povos.&lt;br /&gt;Vejo que a língua escrita e quase falada dos usuários da Internet é mais uma das variantes de uso de nossa língua. Não há dúvidas de que esse segmento poderia influir nas futuras transformações em que a língua portuguesa irá sofrer nos próximos anos. Porém isso não significa deterioração do idioma, mas sim evolução e adaptação aos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, ao retomar as interrogações de Bruno Rodrigues “A língua não retrata o que o povo fala? Ou o que a regra nos impõe?”, afirmo sem titubeios que a língua é o que o povo é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-6114323552625463078?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/6114323552625463078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/12/linguagem-na-internet-salas-de-bate.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/6114323552625463078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/6114323552625463078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/12/linguagem-na-internet-salas-de-bate.html' title='A linguagem na internet (salas de bate-papo)'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-2561523099516705993</id><published>2009-11-17T04:39:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T05:19:30.335-08:00</updated><title type='text'>PESSOAS E TEMPOS VERBAIS</title><content type='html'>As pessoais verbais são três para singular: eu, tu, ele. Mais três para o plural: nós, vós, eles.&lt;br /&gt;Claro que a pessoa "ele" pode variar em gênero feminino (ela, elas).&lt;br /&gt;Não se esqueça de que "pretérito" é a mesma coisa de "passado".&lt;br /&gt;Os tempos verbais são três: passado (pretérito), presente e futuro.&lt;br /&gt;1) Ontem, eu estudei, ela brincou, nós cantamos e eles escutaram (passado ou pretérito perfeito).&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;Ontem, eu estudava, ela brincava, nós cantávamos e eles escutavam (passado pretérito imperfeito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Hoje, eu estudo, ela brinca, nós cantamos e eles escutam (presente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Amanhã, eu estudarei, ela brincará, nós cantaremos e eles escutarão (futuro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você parar para pensar melhor, todos os dias falamos com nossos familiares, colegas, em casa, na escola, em bate-papos na Internet, e usamos, a toda a hora, estas pessoas verbais nestes três tempos. Não há nenhum mistério para o português, para a gramática. Você já nasce falando português e sabendo gramática. Pense nisso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-2561523099516705993?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/2561523099516705993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/pessoas-e-tempos-verbais.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2561523099516705993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2561523099516705993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/pessoas-e-tempos-verbais.html' title='PESSOAS E TEMPOS VERBAIS'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-3195254886203881948</id><published>2009-11-16T07:10:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T07:14:26.360-08:00</updated><title type='text'>FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA</title><content type='html'>Agora é pra valer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 28ª Feira do Livro de Brasília acontecerá nos dias 20 a 29 de novembro de 2009, no Pátio Brasil Shoping. O escritor, desenhista e apresentador de TV, Ziraldo, será homenageado.&lt;br /&gt;Os cantores e compositores Chico César e Moraes Moreira estarão presentes para autografar seus livros. Chico César vai lançar (dia 22) o livro Cantates – Elegias de Amorzade, e Moraes Moreira (dia 23), A História dos Novos Baianos e Outros Versos.&lt;br /&gt;Estas informações foram reveladas, em primeiro mão, a Nós – Fora dos Eixos.&lt;br /&gt;Prestigiem a Feira, levem seus filhos, as crianças (em especial), os adolescentes, jovens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-3195254886203881948?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/3195254886203881948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/feira-do-livro-de-brasilia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3195254886203881948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3195254886203881948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/feira-do-livro-de-brasilia.html' title='FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-2176244373133657119</id><published>2009-11-12T03:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T03:09:07.778-08:00</updated><title type='text'>Paulinho da Viola</title><content type='html'>Hoje, dia 12 de novembro, é o aniversário do cantor e compositor Paulinho da Viola por quem guardo profunda e oceânica admiração.&lt;br /&gt;A tempo, nasce-me agora este poema-homenagem ao artista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho da Viola, do Cavaquinho,&lt;br /&gt;Paulinho que adora a Portela&lt;br /&gt;Canta coisas do Rio, do Samba de Vela&lt;br /&gt;Do Rio que passou em nossas vidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho da Viola, do Cavaquinho&lt;br /&gt;Paulinho que adora a Portela&lt;br /&gt;Paulinho, Cartola te manda abraço&lt;br /&gt;Sinhô diz que tem um pedaço&lt;br /&gt;Da tua mania de fazer versos pra ela&lt;br /&gt;Pra ela que é tua a sina – a Portela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho da Viola, do Cavaquinho&lt;br /&gt;Paulinho que adora a Portela&lt;br /&gt;Natal lá de cima batuca palmas&lt;br /&gt;Cantando cousas repentistas&lt;br /&gt;E ao lado d’outras almas sambistas&lt;br /&gt;Manda que o hoje é a Viola do Paulinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho da Viola, do Cavaquinho&lt;br /&gt;Paulinho que adora a Portela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-2176244373133657119?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/2176244373133657119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/paulinho-da-viola.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2176244373133657119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2176244373133657119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/paulinho-da-viola.html' title='Paulinho da Viola'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-3893805382219717907</id><published>2009-11-11T04:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-11T04:16:45.438-08:00</updated><title type='text'>O dialeto é nosso!</title><content type='html'>Certa vez, um editor português pediu a Raquel de Queiroz autorização para praticar alterações em seus livros a fim de aproximar-lhes o estilo ao do português de Portugal. Então a escritora cearense saiu-se com esta: “Acontece, entretanto, meu caro amigo, que esse caçanje, que esses pronomes mal postos, que essa língua que lhes revolta o ouvido, é a nossa língua, e o nosso modo normal de expressão, e - ouso dizer - a nossa língua literária e artística. Já não temos outra e, voltar ao modelo inflexível da fala de Portugal, seria para nós, a essa altura, uma contrafação impossível e ridícula”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-3893805382219717907?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/3893805382219717907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/o-dialeto-e-nosso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3893805382219717907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/3893805382219717907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/o-dialeto-e-nosso.html' title='O dialeto é nosso!'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-7254519328990214090</id><published>2009-11-10T16:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T16:13:27.319-08:00</updated><title type='text'>A pasta preta</title><content type='html'>Caros leitores: aqui vai um texto-tributo aos meus colegas professores que intitulei "A pasta preta"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pasta preta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riscar de giz branco e o esfregar de apagador que levantam poeira no ar. Numerozinhos aqui e ali que se escondem em parêntesis, colchetes e chaves, letrinhas x e y, tudo parece querer cair do quadro negro. Lá fora da escola, árvores de folhas úmidas, uma mangueira, um pé de jamelão, e por entre suas folhas e galhos já se espreguiçara o canto superensaiado de passarinhos e cigarras. Ensaiado especialmente para o dia 16.&lt;br /&gt;Dentro da sala de aula, meninos e meninas irrequietos, o barulhinho que vem do passar ligeiro das páginas dos cadernos e livros, vozes finas e outras encorpadas dos adolescentes de espinhas nos rostos, alguns que exibem seus aparelhinhos de dentes. Em pé, de frente a essa gente toda, alguém bate com as palmas das mãos e clama por silêncio. A turma aos poucos vai minguando os ânimos típicos da idade tenra, aquele menino alto e magricela cruza as pernas e os braços e diminui o ritmo frenético do mascar de seu chiclete, e querem agora ouvir o que o professor tem a lhes oferecer.  Sobre a mesa do mestre repousam caixinha de giz, caneta esferográfica, livro de aritmética e, por fim, uma pasta preta.  Os olhos de seus discípulos estavam voltados para a pasta preta pois era a primeira vez que avistavam tal objeto de couro que tinha um ar misterioso.&lt;br /&gt;O professor puxa a cadeira para se sentar, endireita os seus óculos e começa a chamar um por um o nome dos seus alunos para lhes entregar as provas corrigidas. E cada um deles que dirige até a mesa do mestre congela o olhar por um instante em direção à pasta preta. Ouve-se uns cochichos entre as meninas sobre o que o professor poderia guardar dentro daquele trombolhozinho de couro. Enquanto isso, lá fora as cigarras e os passarinhos orquestram a música afinada,desta vez com mais intensidade e afinco por causa dos raios de sol que se avizinham nas copas das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No finalzinho da aula, passado o intervalo (na minha época chamávamos de “recreio”), passado o lanche e os disse-me-disse dos alunos, dentro da sala de aula,a deliciosa rotina: o professor sorri e acena com a mão para todos os seus alunos um aceno de despedida. Sala vazia e dever cumprido. Mas amanhã haverá mais um dia de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre sai da escola,vai andando bem devagar. Exageradamente devagar. Ele abre a pasta preta e dela retira uma folha cheinha de letras e palavras. Endireita mais ainda os óculos, embaixo de uma árvore. Por ora, não há canto de cigarras nem de passarinhos e começa a passeara seus olhos pelas linhas da folha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta pessoa a quem chamamos de professor, mestre, teacher, até os mais novinhos o chamam de “tio”, que faz ou já fez parte de nossas vidas. Professor de língua portuguesa que nos faz relembrar que não se deve usar crase antes de verbos e palavras masculinas, professor de matemática que nos revela o segredo de calcular a hipotenusa e os catetos do triângulo-retângulo. Nossos professores de História do Brasil, de História-Geral, que nos falam do descobrimento do Brasil,da Guerra dos Cem Anos. Professor de Química e sua tabela periódica cujos elementos de nomes esquisitos  custamos a decorar e a aprender,mas aprendemos. O de Artes Plásticas. Ah, são tantos estes maravilhosos homens e mulheres que educam nossos filhos. Não posso esquecer do professor de dança, de música, por que não?  Esta gente querida que faz acontecer, que transforma, que é tudo em minha vida.&lt;br /&gt;Ao meu pai, quero desejar um dia 15 de outubro tão feliz, tão harmonioso como o canto das cigarras e dos passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue seus passos até a parada de ônibus. E, sentado no banco, fica a contemplar a natureza das coisas, o canto dos pássaros, das cigarras, até o encanto e as benesses de exercer a atividade de professor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-7254519328990214090?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/7254519328990214090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/pasta-preta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7254519328990214090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7254519328990214090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/pasta-preta.html' title='A pasta preta'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-1194331908041518623</id><published>2009-11-08T14:12:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T14:29:22.311-08:00</updated><title type='text'>www.texto-revisado.com</title><content type='html'>Convidado os prezados colegas a visitarem meu sítio &lt;a href="http://www.texto-revisado.com/"&gt;www.texto-revisado.com&lt;/a&gt;. Trata-se de um espaço para REVISÃO LINGUÍSTICA DE TEXTOS EM PORTUGUÊS: TESES, RELATÓRIOS, MANUAIS e TRABALHOS ACADÊMICOS. Além disso, todo o mês uma questão de concurso revisada e comentada por mim, exercícios preparados por mim com gabarito e, ainda, há textos meus técnicos, crônicas, contos, poesias que publicarei a cada mês.Brevemente, abrirei um concurso cultural com premiação de livros aos primeiros colocados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-1194331908041518623?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/1194331908041518623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/wwwtexto-revisadocom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/1194331908041518623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/1194331908041518623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/wwwtexto-revisadocom.html' title='www.texto-revisado.com'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-2522782475342514511</id><published>2009-11-06T05:02:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T05:23:50.859-08:00</updated><title type='text'>acentuação gráfica</title><content type='html'>Faz bem sempre vir a nossa memória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelo novo acordo ortográfico, os ditongos "éi" e "ói" perderam o acento agudo (´) somente nas palavras paroxítonas (a penúltima sílaba é a mais forte), como por exemplos i&lt;strong&gt;dei&lt;/strong&gt;a (i-dei-a), assem&lt;strong&gt;blei&lt;/strong&gt;a (as-sem-blei-a), Troia (Troi-a), joia (&lt;strong&gt;joi-&lt;/strong&gt;a). Mas atenção!: o acento continua nas palavras oxítonas (a última sílaba é mais forte): cons&lt;strong&gt;trói&lt;/strong&gt; (cons-trói), carre&lt;strong&gt;téis&lt;/strong&gt; (car-re-téis).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-2522782475342514511?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/2522782475342514511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/acentuacao-grafica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2522782475342514511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/2522782475342514511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/acentuacao-grafica.html' title='acentuação gráfica'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8133381990761096976.post-7933121631120304794</id><published>2009-11-05T14:06:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T14:22:18.247-08:00</updated><title type='text'>Assim caminha a língua escrita e falada da criança</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                                                                 "O serviço mais útil que os lingüistas podem prestar hoje é                                                               varrer a ilusão da ‘deficiência verbal’ e oferecer uma noção                                                                mais adequada das relações entre dialetos-padrão e não-                                                                   padrão” (William Labov).                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;       Caminha, e bem. Língua é coisa de uso, e não de regra. Exemplifico: na frase “Nós pode ir ao cinema”, entendemos que se trata de mais de uma pessoa que pode ir ao cinema, pela simples utilização do pronome “Nós”. Portanto, não haveria necessidade de flexionarmos o verbo para “podemos”, o que resultaria, sob o argumento de alguns, numa total ambiguidade. Este é um raciocínio que provém do uso da língua por determinado grupo de falantes. Trata-se de uma variação linguística estigmatizada, ou seja, vista com maus olhos pela norma culta imposta pela gramática e, por conseguinte, recusada também pela escola e sociedade. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;       Uma coisa é a escrita; outra é a fala. Quando crianças, balbuciávamos “papá”, “mamã”, na tentativa de chamar por “papai” e “mamãe”. Das fases de criança evoluímos para adolescentes e, nesse passar de anos, evoluímos nosso modo de pronunciar e escrever as palavras. Crescemos convivendo ao lado de nossos pais, irmãos, familiares, colegas de escola, com os ouvidos em pé, alerta a tudo.      &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;           Mas eis que a professora se depara com a entrega de uma redação de aluno de nove anos de idade. E arregala os olhos ao ler:  &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;           “João tava cum sedi então o pai de João deu água pru João”. O caro leitor compreende o significado da frase? Quero lhes afirmar que se há comunicação neste enunciado, isto é, se o autor da frase consegue ser entendido pelos leitores, é porque há clareza, ainda que os termos da frase fujam da norma culta gramatical. Que fazer o professor numa situação dessa? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;           O professor, como educador acima de tudo, deve chamar o aluno, parabenizá-lo pela bela redação por ter sido criativo. Confessar-lhe que entendeu o que escreveu, mas que existe outra forma de escrever a mesma frase:              &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;         “João estava com sede, então o seu pai lhe deu água”.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;          E lhe dizer, com naturalidade, que esta outra forma é que é a aceita e muito mais empregada por todos, pelas escolas, pela sociedade. Nunca discriminá-lo, jamais tascar a caneta em sua redação para registrar qualquer tipo de reprovação como os inapropriados “Péssimo”, “Errado”, “Estudar mais!”. Essa atitude não educa a criança, mas deseduca, derruba a autoestima do aluno que, por natureza, faz uso de sua gramática internalizada. É preciso apenas podar, lapidar esta sua mais preciosa virtude: a criatividade.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;           Lembro-me de escrever a palavra “dezenho” assim mesmo com “z” repetidas vezes até a quarta-série do primeiro grau. A professora escrevia do lado “desenho” corrigindo-me apropriadamente. No outro dia, lá estava de novo a bendita ou maldita palavrinha. E tome “dezenho” com “z”! Isso aconteceu porque o “s” da palavra “desenho” tem o mesmo som de “z” da palavra “zebra” por exemplo. Demorou até que eu compreendesse e assimilasse finalmente “desenho” com “s” como preza a sua ortografia convencional. Isso continua acontecendo nas escolas. Não se trata de nenhum mal da linguagem e que, portanto, deva ser repudiado e punido. Trata-se de mais uma fase do processo de evolução da fala e escrita da criança. Assim como, nos primeiros anos, ela tem aquela sua fase de andar meio que insegura, tateando as paredes e móveis de casa, até adquirir total confiança e coordenação motora.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;           Se minha filha de 8 anos de idade me pergunta:                &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;          “Pai, se eu fazer o dever primeiro eu posso ver televisão?”                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;         Ao entender o que ela quis dizer, embora tenha usado o “fazer” de modo agramatical, eu lhe respondo com um:                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;         “Olhe, se você fizer o dever, pode ver televisão” E Se eu fizer o dever com você para ajudar nas suas dúvidas, vai ser mais interessante.”                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;         Então, todas as vezes que ela usar o “fazer” nesse tipo de construção, imediatamente eu lhe responderei com o “fizer”. Aos poucos, a criança vai absorvendo o significado da expressão verbal nesse contexto.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;         Em seu livro “E as crianças eram difíceis – A redação na escola”, a autora Eglê Franchi narra sua experiência como professora de 1º grau numa escola de periferia. Eglê aponta a necessidade de considerar a fala e escrita de cada criança, respeitando as variações de frases, e, principalmente, mostrando a elas as diferentes possibilidades de se expressar tanto no ambiente popular (variante estigmatizada) quanto no ambiente em que a norma culta deva prevalecer (variante de prestígio).                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;       É formidável e confortante saber que crianças desde cedo já sabem construir frases. Pasmem!: já sabem sintaxe, porque nascem com a sintaxe em seu consciente. Quando elas dizem:                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      "Mãe, eu quero ouvir a historinha do Peter Pan."       &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Ela sem se dar por conta e, principalmente (isto é muito importante), sem nunca ter visto a gramática, senão a sua gramática internalizada, solta a frase com os termos na ordem direta (vocativo+sujeito+verbo+objeto+complemento). Vejam:                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Mãe: vocativo                &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     ...eu: sujeito                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     ...quero ouvir: verbo (locução verbal) transitivo direto                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     ...a historinha: objeto direto                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     ...do Peter Pan: complemento nominal                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     Muitos dirão que ela assim constrói a frase porque simplesmente ouve os adultos falando todos os dias. Eu direi que têm absoluta razão. Ao observarmos o vocabulário das crianças, concluímos que este se identifica com o vocabulário das pessoas que as rodeiam. Há tendência de os pais modificarem a linguagem durante a comunicação com as crianças. Eles exageram na inflexão vocal e usam frases mais simples, que é para tornar a fala mais agradável a elas. A essa fala adulta dirigida às crianças damos o nome de motherese. Esse estilo de fala, a motherese, não é utilizado exclusivamente pela mãe, mas também por pessoas que cumprem a função materna, que podem ser a mãe real ou mesmo outra pessoa que cuida da criança.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      É preciso aprender a ter paciência com estes pequenos. Dar tempo para eles, pois, como afirma Stenberg, "as crianças adquirem a linguagem formando mentalmente hipóteses experimentais quanto à mesma, baseadas em sua facilidade hereditária para a sua aquisição (natureza), e depois testando essas hipóteses no ambiente (educação)."                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Sabedor de que o estudo da fala e escrita da criança é de profundidade oceânica, proponho ao leitor consultar a bibliografia que registro ao final deste artigo. São especialistas, cientistas da área que muito contribuem para amadurecimento do assunto em questão, desde Vygotsky até Eglê Franchi. A todos os desbravadores uma proveitosa leitura.                 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     Enfim, quero lhes dizer que as crianças estão bem acima da gramática, pois esta só tem existência em razão da existência daquelas. É a partir da criatividade, do dialeto peculiar de cada uma das crianças que a gramática se encorpa, toma vida, e, com o passar dos tempos e pela necessidade natural dos falantes, terá de ajustar gradativamente as suas regras. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;                                                                   .................................&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;        Bibliografia: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;       BAGNO, Marcos. A língua de Eulália – novela sociolingüística. São Paulo: Contexto, 1999. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      PINKER, Steven. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2002. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      FRANCHI, Eglê.– E as crianças eram difíceis - A redação na escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      SCHÜTZ, Ricardo. Vygotsky &amp;amp; language acquisition. Disponível em: SOUZA, Solange Jobim e. Infância e Linguagem: Baktin, Vygotsky e Benjamin. 6. ed. São Paulo: Papirus, 2001.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     STENBERG, Robert J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;     VYGOTSKY, Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Série Psicologia e Pedagogia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8133381990761096976-7933121631120304794?l=texto-revisado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://texto-revisado.blogspot.com/feeds/7933121631120304794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/assim-caminha-lingua-escrita-e-falada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7933121631120304794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8133381990761096976/posts/default/7933121631120304794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://texto-revisado.blogspot.com/2009/11/assim-caminha-lingua-escrita-e-falada.html' title='Assim caminha a língua escrita e falada da criança'/><author><name>Dayan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03084035946398912423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_ekz97nnzVBM/S4PV9ZpInEI/AAAAAAAAABs/TP6BKPLAKt4/S220/ricardo_dayan.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
